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Critica : Mauro Ferreira

Critica : Mauro Ferreira

DJ Vivi Seixas joga temas de Raul na pista sem transfigurar a obra do pai. 

Por: Mauro Ferreira

“Não quero ranço de velhice. Quero uma coisa nova. Vamos fazer a cabeça dos novos que os velhos já estão fritos”. Extraída da gravação de Geração da luz, música que dá título ao CD de remixes lançado pela DJ Vivi Seixas neste mês de março de 2013, a fala do cantor e compositor baiano Raul Seixas (1945 – 1989) está alocada como a introdução do disco. É como se Vivi de antemão já se defendesse de eventuais ataques pela abordagem eletrônica da obra do pai neste trabalho produzido pela DJ carioca com o norte-americano Mike Frugaletti e com o carioca Plínio Profeta. Nem era preciso. Reverente à obra de Raul, o CD Geração da luz - Clássicos de Raul Seixas metamorfoseados - arquitetado há seis anos quando Vivi obteve registros a capella de gravações do cantor – dificilmente vai gerar descontentamento entre os fervorosos seguidores da música e da ideologia do Maluco Beleza. DJ de house, Vivi repagina 10 gravações de Raul com batidas de deep house, trip hop e drum and bass, entre outros subgêneros do universo musical eletrônico. Contudo, as músicas não soam transfiguradas. Houve um cuidado – talvez até excessivo – na preservação dos vocais e da estrutura melódica das músicas. E, diferentemente do que sugere o subtítulo do disco, nem todas essas músicas são clássicos da obra de Raul. Há ligeira ênfase na produção do artista nos anos 80 – década em que o compositor não reeditou o vigor criativo dos seus áureos anos 70 – e em alguns lados B como Só pra variar (Raul Seixas, Kika Seixas e Claudio Roberto, 1980). Mas há também alguns verdadeiros clássicos, caso de Mosca na sopa (Raul Seixas, 1973), que pousa na pista com certa pressão roqueira. Vivi faz com que Conversa pra boi dormir (Raul Seixas, 1980) soe mais sombria e joga Super-heróis (Raul Seixas e Paulo Coelho, 1974) na pista do trip hop. Com seus hábeis remixes, a DJ adensa Aluga-se (Raul Seixas e Claudio Roberto, 1980) – em tom apropriado para evitar a diluição da crítica social exposta na letra – e expande a viagem d’O carimbador maluco (Raul Seixas, 1983). No todo, Geração da luz ilumina obra emblemática do rock brasileiro sob ótica jovial. Vivi  não chega a renovar o cancioneiro de Raul, porque a obra em si tem vigor atemporal, mas a DJ toca Raul para público que, talvez, conheça apenas superficialmente a música de seu pai. Este é o mérito maior de seu oportuno disco de remixes.

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